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ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE A PSICOTERAPIA BREVE
Há uma ideia corrente, apenas em parte correta, de que uma psicoterapia seja sempre um processo longo, geralmente de vários anos. Mas nem sempre é assim: em muitas situações um processo psicoterapêutico pode se dar de maneira relativamente rápida e tão eficaz quantos os processos mais longos. Estou falando do que se convencionou chamar de ‘terapia breve’ ou ‘psicoterapia de curta duração’. Muito rapidamente, vou tratar, neste pequeno artigo, derivado de meu livro mais recente (2009), de algumas das peculiaridades e limites desse jeito de se trabalhar em psicologia.
A psicoterapia, grosso modo, é o encontro de duas pessoas, o terapeuta e o cliente, com o propósito de analisar e compreender a vida do cliente visando facilitar a recuperação da qualidade do contato, da vivacidade, do ritmo e da abertura do cliente para a vida. A psicoterapia favorece alternativas para avaliar pontos de vista, percepções e posturas que afetam os sentimentos e o comportamento do cliente. Antes de tudo, a psicoterapia é um procedimento dialético e dialógico, é um processo de diálogo entre interlocutores comprometidos profundamente com a busca da melhor configuração para uma dessas pessoas, o cliente.
A psicoterapia não é um processo de aprendizagem, não é um lugar onde o cliente vá aprender sobre si, mas, antes, é um processo de exploração do mundo e de auto-exploração através do qual o cliente vai descobrir sobre si, através de seus sentidos e de sua capacidade de se fazer presente. A psicoterapia é um encontro e um entendimento entre duas pessoas, delimitado por certas regras e circunstâncias, que tem como propósito facilitar a uma dessas pessoas, o cliente, o reencontro de sua abertura perante a vida, o novo, a autonomia, a liberdade, enfim, a atualização como ser humano, a sensação de estar-se vivo, real e podendo comunicar-se com o mundo de forma igualmente real e baseada em uma nova compreensão de si e do mundo. Essa nova compreensão alcançada no processo terapêutico traz como consequência a possibilidade de mudar a compreensão anterior, a qual, por ser cristalizada, tornara-se dificultadora do crescimento. A idéia central é que o propósito maior da psicoterapia é facilitar ao ser humano a descoberta de que “o próprio viver é a terapia que faz sentido.” (Winnicott, 1971)
Além de poder se apoiar em diferentes correntes teóricas, o que lhe configura diferentes propósitos e diferentes técnicas, a psicoterapia pode ainda ser caracterizada por alguns critérios. Um desses critérios é o tempo de duração da psicoterapia, o que nos possibilita pensar em psicoterapia de curta duração.
A psicoterapia de curta duração tem por finalidade oferecer ao cliente a possibilidade de vivenciar uma situação especial num contexto relacional de aceitação e confiabilidade, no qual ele possa chegar a uma formulação pessoal do conflito e reestruturar sua vivência frente a uma específica situação emocional antes dolorosa. (cf Ribeiro, 1999)
Localize o Psicólogo Ênio Brito Pinto – SP no site almanaque saúde
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