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Atendimento psicológico diferenciado para quadros demências
Ao atender um paciente que esteja com algum quadro demencial, o psicólogo necessita ter em mente o que realmente pode fazer para ajudá-lo e acreditar que ele será capaz de aprender, de desenvolver habilidades e responder a estímulos.
Para que o tratamento se inicie e que tenha sucesso precisamos da parceria da família. Na maioria dos casos, são os familiares que buscam ajuda para o seu ente querido. Dificilmente a própria pessoa toma a iniciativa. Por isso, o cuidador informal e formal necessita de apoio e de esclarecimentos a respeito da doença e do processo psicoterapêutico. A família deverá estar inserida no atendimento, com reuniões agendadas e com liberdade de contatar com o psicólogo toda vez que necessitar.
O atendimento com o paciente se baseia primeiramente, em estabelecer um vínculo de confiança e empatia. Esse contato deverá ser realizado de forma bem natural e delicada, pois geralmente ele se encontra assustado com os sintomas que já percebe em si mesmo e que são notados por outras pessoas. Como por exemplo, perguntar a mesma coisa várias vezes, esquecer onde colocou algo, se sentir perdido no meio da sala, colocar um objeto em um lugar estranho. Muitos chegam fragilizados, deprimidos e chorosos. O espaço terapêutico deverá ser um lugar de abrigo e acolhimento. Não devemos jamais apontar seus esquecimentos e confusões. Apenas os registramos em nossa avaliação.Conforme o vínculo for se fortalecendo passamos a abordar os seus interesses, do que gosta e não gosta e assim, estabelecemos um plano individual de tratamento, que tem como objetivo principal considerar as suas necessidades e preferências. Essas necessidades não se limitam às atividades básicas de vida como comer, beber, tomar banho. Elas incluem as questões emocionais, espirituais e de criação de autonomia.
A meta de um bom planejamento deve priorizar as habilidades individuais, promovendo maior qualidade de vida. É importante envolve-lo em uma rotina de atividades significativas promovendo um senso de utilidade, realização e prazer. Jogos de baralho, xadrez, memória, quebra-cabeça, podem ser utilizados como instrumentos terapêuticos. Recordo-me de um paciente que me ensinou a jogar xadrez. Este fato devolveu a ele a capacidade e o poder de realizá-lo. E isso se estendeu aos filhos, que ao visitar o pai procuravam jogar uma partida de xadrez com ele. Outra paciente adora jogar buraco e não tem possibilidade de fazê-lo com seus familiares. Costumo inserir, entre outros recursos, vários jogos de baralho nas sessões e ela responde positivamente. “O contato terapêutico deve ser agradável o bastante para mantê-lo interessado e cooperativo. É de suma importância que o terapeuta seja simpático, envolvido e capaz de usar a imaginação e a iniciativa” (Holden e Woods,1995).
O grande desafio para o profissional é intervir junto à família. Lidar positivamente com as expectativas frustradas do cônjuge ou dos filhos é essencial para que o tratamento continue, apesar de não haver “a cura” tão desejada.
Minha experiência com esse tipo de atendimento tem sido positiva e eficaz. Acompanho pessoas há mais de 4 anos e o resultado é surpreendente. No início era comum o desânimo, o choro e até a vontade de morrer. Hoje, apesar do déficit cognitivo há um envolvimento maior com a vida, com o próprio prazer.
Portanto, mesmo que os males demências sejam degenerativos, o tratamento psicológico, voltado para a estimulação cognitiva e o restabelecimento do bem estar da pessoa, deve ser disponibilizado para esses pacientes. O ganho se estenderá a seus familiares e cuidadores.
Encontre a Psicologa – RJ Jorgete Botelho no site almanaque saúde
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