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Crescimento e uso de GH- hormônio de crescimento
Muitos pais se preocupam com a altura de seus filhos. “Será que ele não está crescendo como deveria”? Como podemos saber se nosso filho não está crescendo bem? Na verdade, toda criança deve ser medida e pesada pelo menos uma vez ao ano. Desta forma, qualquer desvio do normal será percebido rapidamente. Existem gráficos que ajudam nesse acompanhamento. Este acompanhamento regular deveria ser seguido rigorosamente por todos, normalmente pelos pediatras. Notando- se algum desvio na curva de crescimento devemos então realizar uma avaliação com Endocrinologista.
A altura de uma pessoa é resultado da combinação de vários genes oriundos de seu pai e de sua mãe. Em geral, temos 50% de chance de ter uma altura semelhante à do pai ou da mãe. Os irmãos tem 50% de chance de ficarem com alturas semelhantes e apenas 25% de semelhança pode ser esperado em relação a altura de avós e tios. Em gêmeos monozigóticos (“idênticos”), cuja carga genética é a mesma, a altura final será praticamente igual, desde que ambos passem pelas mesmas condições ambientais ao longo do período de crescimento. Entretanto, se um deles tiver algum problema nutricional ou alguma doença crônica, ele poderá perder altura e ficar mais baixo em relação ao outro que não enfrentou condições desfavoráveis.
Quando não existe doença, uma vida saudável, alimentação adequada, atividade física, horas de sono suficiente, tudo favorece um crescimento saudável.
O hormônio de crescimento, conhecido como GH, é produzido pela glândula hipófise, situada na base do crânio, e é muito importante para o crescimento estatural desde os primeiros anos de vida. Em alguns casos pode-se ter deficiência de crescimento por alteração na produção desse hormônio. Embora não seja uma causa muito freqüente deve ser sempre suspeitada quando existe diminuição da velocidade de crescimento de uma criança.O crescimento é um processo bastante dinâmico que inicia na concepção e se estende até a vida adulta, ocorrendo em intensidades variáveis nas diferentes fases da vida de uma criança e de um adolescente. Cada pessoa irá crescer enquanto seus ossos tiverem cartilagens de crescimento não calcificadas, independentemente da idade cronológica que ela apresente.
O amadurecimento e a calcificação destas cartilagens de crescimento dependem principalmente da puberdade. Dois jovens de mesma idade cronológica com diferentes estágios puberais irão crescer de forma diferente. Aquele com um desenvolvimento mais avançado da puberdade provavelmente terá as cartilagens mais calcificadas e mais próximo de parar de crescer do que o outro que está apenas na fase inicial da puberdade. Da mesma maneira, uma menina de 10 anos de idade que esteja com as mamas desenvolvidas, com pêlos pubianos e já apresentou a primeira menstruação deve parar de crescer antes do que uma menina de 12 anos de idade que esteja apenas iniciando o desenvolvimento mamário. Este grau de amadurecimento das cartilagens pode ser avaliado com uma radiografia das mãos e dos punhos para avaliação da “idade óssea”.
Nos meninos, a puberdade e o estirão de crescimento começa em média 2 anos mais tarde do que nas meninas. Essa “demora” prolonga o crescimento antes da puberdade, que associado com um estirão mais intenso e um período de crescimento mais prolongado no sexo masculino, resulta que os homens sejam em média 13 cm mais altos que as mulheres.
O tratamento de reposição (substituição) com GH está indicado em todo indivíduo, independente da faixa etária, que apresente deficiência da produção de GH pela hipófise. A deficiência de GH pode ter início na infância (nanismo hipofisário) ou na vida adulta, por exemplo, por causa de um tumor da hipófise. Na infância, o GH também pode ser benéfico na baixa estatura em meninas com Síndrome de Turner, em crianças nascidas pequenas para a idade gestacional, nos portadores da Síndrome de Prader-Willi, em crianças com insuficiência renal crônica, entre outros.
Em geral, nas crianças com baixa estatura causada pelas diferentes etiologias em que o uso de GH está aprovado, o tratamento pode ser feito até que se atinja a estatura final planejada. Em geral, isso não se baseia na idade cronológica, mas sim na idade óssea e na velocidade de crescimento que a criança está apresentando.
O tratamento com GH é feito através de injeções diárias, aplicadas ao deitar, por via subcutânea (isto é, na gordura) nas coxas, braços, nádegas ou abdome. Não existem preparações em formas de comprimidos, sprays, supositórios ou adesivos.
Os efeitos colaterais são raros mas podem ocorrer, principalmente com uso de doses excessivas. Reações locais da aplicação são incomuns mas podem ocorrer. Raramente o uso de GH pode causar hipertensão intracraniana benigna (“síndrome do pseudotumor cerebral”), que cursa com dor de cabeça, vômitos, alterações visuais, agitação ou alterações da marcha (do ato de andar). Em adultos, os principais efeitos colaterais se relacionam com retenção de água que o GH pode promover, causando inchaço, dores articulares ou musculares, e formigamentos de extremidades, geralmente relacionados com a síndrome do túnel do carpo.
O GH deve ser interrompido quando a resposta não é a esperada, na presença de efeitos adversos, ou quando o paciente não quer mais o tratamento.
Para aqueles interessados no assunto recomendo o site da Sociedade Brasileira de Endocrinologia (www.sbem.org.br) e o artigo 10 coisas que você precisa saber sobre crescimento e GH, que serviu de fonte para essa matéria.fonte:Endocrinologista- Doutorado pela UFRJ
Programa de Diabetes e Hipertensão da SMSDC-RJ
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