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Potencial para comportamentos criminosos
17 de novembro de 2009 (Bibliomed). Crianças que não apresentam respostas normais ao medo de sons altos e desagradáveis com três anos de idade podem ser mais propensos a cometer crimes na idade adulta, segundo estudo publicado esta semana no American Journal of Psychiatry. Avaliando dados de quase 1,8 mil pessoas nascidas no período entre 1969 e 1970 nas Ilhas Maurício, no Oceano Índico, os pesquisadores notaram que os 137 que apresentaram pelo menos uma ocorrência criminal em 20 anos haviam tido, aos três anos de idade, menor resposta em testes com ruídos desagradáveis.
Os resultados se alinham a estudos anteriores que sugerem que psicopatas e crianças de 11 anos com problemas de comportamento têm anormalidades similares em uma parte do cérebro chamada amídala – estrutura, em grande parte, responsável por dirigir o medo das conseqüências. Segundo os autores, a ideia do estudo é que crianças que associam sons desagradáveis ou outras experiências ruins ao medo podem ter menos chances de cometer atos anti-sociais, porque ligarão essas experiências com a punição para seus atos.
De acordo com os autores, o fato de o estudo ser controlado para fatores sociais, como a escolaridade dos pais, o número de pais em casa, o status socioeconômico e o tamanho da família, indica que os aspectos biológicos possam ser a razão para “emoções embotadas” registradas por algumas das crianças de três anos. Porém os autores sugerem cautela na interpretação dos resultados, pois, evidentemente, eles não oferecem uma forma biológica de identificar futuros criminosos. “O crime é claramente um construto complexo, envolvendo múltiplas interações entre genética, cérebro, família e influências sociais”, explicaram os autores.
A contribuição do estudo seria em oferecer indícios de que alguns sinais do potencial para comportamentos anti-sociais podem ser observados no cérebro dos jovens, indicando que intervenções precoces podem ser realizadas para prevenir e tratar problemas de comportamento.
Fonte: American Journal of Psychiatry. 16 de novembro de 2009.
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